11.11.05

Nota

De volta. Estava de férias do blog. Foram umas férias estranhas, confesso. Estranhas porque não foram programadas. Simplesmente aconteceram. As palavras me escaparam. A verdade é que vinham tentantdo já há algum tempo, mas eu resistia. É isso: este espaço começava a fugir de sua razão de existir. Criado para o desafogo, para a diversão no encontro casual e despreocupado com as palavras e para o trânsito livre das idéias, convertera-se em mais uma obrigação do meu cotidiano já sobrecarregado. Ultimamente eu escrevia no blog porque me sentia obrigado a fazê-lo. Isso não fazia nenhum sentido. Por isso a ausência abrupta. Fiquei aliviado ao me ver livre do compromisso. Voltei porque passaram trinta dias e aí configura justa causa. Se a volta é definitiva ainda não sei. Espero que sim.

9.10.05

Aliás

Peguei a dica para o site indicado abaixo (Cadeia das Palavras) na última coluna do Mario Sergio Conti, no NoMínimo. Entratanto, gostaria de comentar, rapidamente, sua coluna anterior a esta, uma crítica contundente e arrogante a blogs e basicamente a qualquer forma de comunicação na Internet: lamentável, principalmente vindo de um jornalista.

O Mario Sergio Conti, para quem não se lembra, é o autor daquele livro Notícias do Planalto, ex-editor da Veja. Não sei maiores detalhes sobre sua vida, mas até recentemente vivia em Paris. Pois suas colunas transparecem justamente aquela arrogância que comumente se atribui aos franceses, sobretudo aos parisienses. Querer generalizar comunicação na Internet é o cúmulo da ignorância moderna. Eu até entendi a que ele se referia, mas sua falta de sensibilidade para perceber as mudanças nos padrões de comunicação é latente, se é que vocês me entendem. Exemplo disso foi seu comentário em reação à enxurrada de críticas que recebeu pela tal coluna: "Continuarei a usar a Internet para pesquisas rápidas e para ler jornais franceses". Renove-se, meu caro!

Cadeia das Palavras

Um domingo em casa pode render descobertas interessantes na Internet. Como o site Cadeia das Palavras. Trata-se de um exercício literário onde cada pessoa escreve um capítulo de uma história. Detalhe: cada capítulo deve ser escrito somente com palavras começadas com uma letra do alfabeto. Impossível? Vale uma visita.

3.10.05

Zveiter, o Coronel do futebol

Luiz Zveiter e o "seu" STJD representam um Brasil retrógado, paternalista, autoritário, antigo e, infelizmente, muito atual.

A maneira como conduz o tribunal é lamentável. Ele personifica o órgão e toma decisões arbitrárias, infundadas, é inexplicável. Tamanho é o absurdo que anunciou a anulação dos 11 jogos num domingo de manhã no quintal de sua casa, em Niterói.

Obviamente a decisão não foi fundamentada. O que importava era aparecer e dar uma solução rápida ao caso.

O Sr. Zveiter tem a terrível mania de ir à televisão e julgar fatos e jogos antes mesmo de serem levados ao tribunal. É um tremendo dum pavão. Habitué dos programas esportivos de domingo à noite, principalmente o do Milton Neves (outro cidadão lamentável). E fala cada dia uma coisa, causando uma tremenda confusão.

Fora isso, a decisão de anular os 11 jogos me parece absurda e precipitada. O bom senso pede que cada caso seja analisado isolada e detalhadamente, com calma, e que um órgão colegiado, ou mesmo um juiz, profira uma decisão fundamentada.

Enfim, este campeonato perdeu totalmente a credibilidade. Quem cair vai apelar para a Justiça Comum. Quem não for campeão e se sentir prejudicado pela decisão do STJD também deve seguir o mesmo caminho. Os torcedores para sempre contestarão o resultado do campeonato. Enfim, uma bagunça.

1.10.05

Pitacos Armados

- Referendo: alguém sabe se se deve votar SIM pela comercialização ou pela proibição da comercialização de armas de fogo? Já estou imaginando a confusão que vai ser no dia. Muita gente vai marcar um voto desejando outro. Boa sorte àqueles bem-aventurados, como este que vos escreve, que terão o prazer de servir à pátria e trabalhar no dia do pleito.

- A nossa querida revista Veja iniciou hoje a campanha - panfletária - contra a proibição da comercialização. Eu não esperava uma tomada de posição tão clara. De qualquer maneira, a capa de hoje deve marcar o início do aumento da intensidade dos debates sobre o referendo, até agora muito contestado mas com seu mérito pouco discutido, com a exceção de alguns e-mails falaciosos que circulam pela rede defendendo um e outro lados.

28.9.05

Paradoxo

Durmo já pensando em acordar.

Quando acordo só penso em voltar a dormir.

25.9.05

Escândalo da arbitragem

O que mais assusta nessa história toda é que se tratava de um esquema meio amador, do estilo golpe na padaria. Os caras chegavam, ofereciam 15 contos por juiz e apostavam num site clandestino. Mostra toda a fragilidade do sistema. Passa a impressão de que qualquer um pode chegar lá e modificar a história de um campeonato onde clubes e grandes empresas investem uma quantidade enorme de dinheiro.

Espero - e acredito - que se trate de um fato isolado, mas deve funcionar como um alerta. Não é possível que essas coisas aconteçam a toda a hora.

22.9.05

Quarta-feira agitada

Renúncia do Severino, depoimento do Daniel Dantas... As coisas estão andando. Torço para que a imprensa continue cobrindo de perto a crise e para que a opinião pública continue a pressionar. Temia que a prisão de Maluf e o próprio caso do Severino tirassem um pouco da força da pressão por resultados e trabalho nas CPIs dos Correios e do Mensalão. Felizmente, parece que não.

Falando em prisão do Maluf, trata-se de mais um sinal inequívoco da evolução da democracia e das instituições no Brasil. Tendemos a querer e exigir mudanças imediatas, temos pouca paciência, porém uma sociedade amadurece e progride de forma lenta. As coisas não acontecem do dia para a noite. Nossa nova constituição não tem nem 20 anos. Eu sempre defendo a tese de que o Brasil está melhorando. Quem imaginava que o Maluf seria preso e, passada uma semana, continuaria na cadeia? Quando antes o submundo da política veio a público como agora? Enfim, são diversos os sinais positivos. Encarando os fatos numa perspectiva histórica, o balanço dos últimos quinze anos é muito bom.

20.9.05

Harmonia


Torres del Paine, Chile. Todo mundo deveria visitar um dia. É o meu fundo de tela no computador.

18.9.05

Crônica de uma tarde paulistana

Mauro levou a filha Mônica à FNAC para tentarem descobrir qual era o problema do Ipod que a menina ganhara do tio Osvaldo e que havia parado de funcionar. Como o produto não fora comprado na loja, não conseguiram ajuda. Voltaram para o estacionamento, esperaram o carro por cerca de quinze minutos – enquanto isso tiraram uma foto com a vaca exposta na calçada, impacientaram-se e finalmente foram embora.

Carlos e Laura foram comprar ingressos para dois shows. Após aguardarem na fila por mais de trinta minutos, descobriram que o pagamento só podia ser feito à vista. Tiveram que voltar para casa. Antes de sair, contudo, aproveitaram para ver os últimos modelos de telefone celular e brincar com alguns laptops em exposição.

Gérson levou a família para passear após o almoço. Enquanto folheava alguns livros sobre gastronomia e psicologia no segundo andar, sua mulher Sandra bebia um café e comia um pedaço de bolo para acompanhar a leitura da revista recém-comprada. Seus dois filhos divertiam-se na seção de videogames. Dali a vinte minutos procurariam o pai para pedir que comprasse um novo jogo de corrida. A mãe continuaria a ler a sua revista até que o marido a chamasse para irem embora.

Edgar andava de bicicleta pelo bairro e parou para olhar alguns CDs e DVDs. Não procurava nenhum título específico, somente decidiu postergar em mais alguns minutos sua chegada em casa. Acabou por comprar um disco novo de um artista desconhecido, mas muito bem recomendado pelo vendedor simpático. Na saída, encontrou seu amigo Alexandre. Havia meses que não se viam. Tomaram um café na praça e conversaram por uns vinte minutos. Depois, trocaram telefones e foram para casa.

Sebastião ajeitava seu cachecol enquanto lia o jornal sentado em sua cadeira de praia na calçada da praça. De soslaio, acompanhava os movimentos de Cláudia. Já fazia uns cinco minutos que a moça observava seus quadros ali expostos. Voltou os olhos para o jornal quando ela se virou em sua direção. Cláudia ainda passaria mais vinte minutos a observar as obras de outros artistas talentosos e desconhecidos que expunham seus trabalhos na praça. Ela iria embora e eles continuariam ali, a conversar uns com os outros, ler jornal e livros, tricotear, pintar e explicar suas obras para quem se interessasse.

Guilherme entraria em seu carro, daria cinco reais para o guardador de carros, pegaria quatro de troco e iria embora visitar seu avô.

14.9.05

Entrevista do Gerald Thomas

Essa entrevista dele para o pessoal do nomínimo é muito engraçada (e boa também). Sério, eu me diverti demais lendo as suas histórias e opiniões. Ele é muito, mas muito louco. Enquanto eu escrevo esta nota estou inclusive ouvindo a íntegra da entrevista. Vale a pena.

Uma palhinha:

- É verdade que a Fernanda Montenegro e a Marilia Gabriela foram as únicas mulheres com quem você trabalhou e não transou?
- Não! Com a Camila Morgado também não...
- Então você transou com a Tônia Carreiro?
- Desculpa, com ela também não, se bem que me deixa pensar aqui, houve sim um certo momento...
- Com a Tônia Carreiro, cara?
- É, houve ali uma noite em que estávamos todos muito doidos. Eu não lembro direito, não sei, eu juro que não me lembro direito. Não me lembro de muita coisa. Às vezes eu tenho que perguntar: “vem cá, eu te comi?”.

Mais tecnologia: IPTV

Para quem se interessa por tecnologia, indico a leitura desta matéria da BBC sobre IPTV (Internet Protocol TV). É a televisão por banda larga, a fusão da televisão com a Internet. O conceito é o mesmo de VoIP. Transmissão de vídeo pela rede por pacotes de dados, não mais por cabo ou satélite. Pode ser usado para transmissões ao vivo ou sob demanda (VOD). Os especialistas da área indicam que é o futuro (próximo) da TV e que vai revolucionar o modo como a utilizamos. Bem interessante.