30.6.05

Links - 3.ª Parte


Tela de Júlia Székely


Fabrício Carpinejar é um poeta em essência. Literalmente, pois é filho de dois poetas, Carlos Nejar e Maria Carpi. Nota-se que uniu os sobrenomes dos pais, hoje separados, para driblar a realidade e mantê-los sempre, de alguma forma, juntos.

Já possui uns cinco ou seis livros de poesias publicados e tem sido um sucesso absoluto, de público e crítica. No site há maiores informações sobre suas obras.

Mas o link aqui é para o blog de Carpinejar, em prosa. Ou não. Porque se o formato é de prosa, a alma é poética. Fabrício vê o mundo pela poesia, ele mesmo já se confessou condicionado ao gênero ("É uma limitação", disse - que bom seria termos mais pessoas limitadas assim). Desde que descobri seu site - hoje já quase um cult na rede - virei um fã incondicional desse gaúcho de 30 e poucos anos e talento aparentemente inesgotável. Comprei seu livro, enfim, me empolguei. Sempre gosto de descobrir novos escritores de qualidade. E esse é muito bom mesmo.

O blog é constantemente atualizado com textos muito bem escritos, normalmente sobre assuntos relacionados à mente e ao coração, temperados pela visão que só o poeta tem. Enfim, esta é uma indicação certeira. Se você ainda não conhece, fico feliz de poder apresentar-lhe Fabrício Carpinejar. Aproveite o prazer de descobri-lo. Dica: é também um prazer passear pelos arquivos do site e ler seus textos antigos. Dá para perder um bom tempo por lá.

27.6.05

Nosso país no século XXI

Em Rio Novo, como querem os moradores, ou Paulino Neves, como querem os registros oficiais que homenageam o coronel de outrora, o voto vale 15 reais.

Sim, nesta cidade do Maranhão, no começo dos pequenos lençóis maranhenses, uma das maiores maravilhas da natureza, o preço do voto é tabelado. Disseram-me que o “seu prefeito” era homem bom, dava remédio para quem precisava e também alguns brindes na época das eleições. Já estava no seu segundo mandato.

Também se importava muito com a cidade, afinal foi ele quem levou a energia elétrica para lá, em 2002, e também o telefone, um ano antes. Ah, ele também colocou uma TV na praça para a população assistir à novela. E lógico, era só bater na casa dele que sempre tinha um remedinho amigo. Mas nem sempre tinha ele, pois esse grande homem morava em São Luís, a umas 6 horas de distância, e aparecia ali a cada quinze dias, mais ou menos...

Perguntei se alguém vendia seu voto para mais de um candidato para fazer um dinheirinho. Não gostaram da pergunta. O voto é o seu maior bem, e orgulham-se de poder vendê-lo. Sentem-se importantes. E tão grande é a honra desse nosso povo brasileiro, que jamais dariam sua palavra em vão.

-----*-----

No Piauí, passei por Guaribas, aquela cidade símbolo do Fome Zero. Lá, acreditem, o prédio da prefeitura estava arrendado. Sim, não havia sede da prefeitura. O prefeito, obviamente, morava em Teresina, e há algum tempo não passava por lá.

E por uma enorme coincidência, era irmão ou primo de mais uns 2 ou 3 prefeitos de cidades da região... Ah, lógico, parece que todos também moravam em Teresina, ali pertinho, a umas 8 horinhas de carro por uma estrada em excelentes condições...

Pôr-do-sol

Foto de José Renato Magon (Lages-SC)

26.6.05

Vegetariano

Há vários motivos que levam uma pessoa a ser vegetariana, seja compaixão com os animais, questões de saúde, religiosas, até políticas, ou gosto mesmo, enfim. Há também os "meio" vegetarianos, aqueles que abrem concessões para peixes ou frangos ou mesmo para os dois. Eu, que definitivamente não sou vegetariano, sempre entendi e respeitei quem o é, mas a realidade é que nunca havia escutado uma explicação que realmente me convencesse. Eu entendia, mas nunca havia compreendido. Até anteontem.

Conversava com um amigo que me disse ser vegetariano. Fiquei um tanto surpreso:

- Mas você não come nem peixe?

- Não, nada de carne.

- Então do que você vive?

- Faz uns quatro anos que vivo de leite e ovo, o resto não dá, não é certo.

- Mas por que você virou vegetariano?

- Eu nunca tinha conhecido um vegetariano. Quando conheci um, virei no mesmo dia.

- Sim... E por quê??

Aí a resposta definitiva:

- Cara, você já parou para pensar que os bichos têm olho?! Eles enxergam, cara! Você já pensou nisso? Eles vêem tudo que você vê... Não dá, não dá, eu não como nada que tenha olhos. Você acha certo matar um animal que enxerga? Seria como se Deus descesse na terra e saísse pisando em todo mundo e dando risada: ´Haha, agora vou te assar e comer os pedacinhos! Vou fazer um filé do seu braço! Hahaha´. É covardia. Eu queria ver um homem correndo atrás de um boi no meio do mato para matá-lo... Imagina isso, cara, imagina! Se você para pra pensar nunca mais come nada que enxergue, não come...

Eu, estupefato:

- Pode crer...

E saí pensando na frase: "eles têm olho", "eles têm olho"...

23.6.05

Los Hermanos

Disparada a melhor banda brasileira da atualidade.

Banda de personalidade e talento, vem construindo, à base de letras lindas, ritmo eclético e shows vibrantes, um público cativo cada vez maior. Sempre ouço de um amigo que "descobriu" a banda. Desde rockeiros a pagodeiros, Los Hermanos tem o incível dom de agradar a diversos gostos.

E é bonito ver como as pessoas cantam junto e vivem cada momento dos shows, deixando suas emoções aflorarem à medida que passam as músicas.

Souberam abandonar o caminho fácil aberto por Ana Júlia para mudar de rumo e iniciar a trajetória de uma nova banda, talhada a entrar na história do rock(?) nacional.

Para quem não conhece, recomendo "Bloco do eu sozinho" e "Ventura", os dois últimos albuns. O novo CD sai em agosto.

21.6.05

Nuvens


Nuvens (Foto de Guilherme Ramalho)

20.6.05

Políticos

Se há uma palavra para definir a semana passada, esta só pode ser desanimadora. Foi triste ver o circo armado em Brasília. Acredito que a descrença nunca foi tão grande na política e em tudo que a cerca. Cada vez mais tem-se a impressão de que tudo não passa de um grande balcão de negócios, que são todos corruptos. Ruiu o alicerce da moralidade, como se intitulava o PT. Enfim, me veio em mente aquela imagem do marido chega em casa no meio da tarde, pega a mulher em flagrante e ainda levanta o lençol para ver a cara do amante. E depois conta para todo mundo. Jogaram tudo pro alto. Resta ver se os pacificadores chegaram em tempo de arrumar a casa. Meu palpite é de que sim, vão arrumar um ou outro bodes expiatórios, então será feito um carnaval em cima disso, logo após convenientemente surgirá novo escândalo para desviar as atenções, então o assunto já vai estar velho, e pronto, maiores escândalos serão evitados. Digo isso porque tenho a nítida impressão de que a oposição está receosa, cautelosa. Ninguém tem feito acusações pesadas diretas, todos parecem se resguardar. É aquela velha história do rabo preso. Imagino as negociações que não devem estar em curso em Brasília. Imagino e me lamento. Para voltar à analogia anterior, o lençol parece ser curto, se puxar demais de um lado, descobre o outro. Até agora tem tudo se resumido a um grande teatro, e o interesse e a pressão populares, que podem ser os grandes motores de investigações maiores e mais eficazes, definirão se a realidade assumirá o protagonismo. Temos que acreditar.

Olhos que falam

Adoro a ousadia dos teus olhos. A visão nunca lhes bastou. Sempre quiseram mais. Comigo, ao menos, falam, tocam, sorriem, choram, amam e fazem amar. Carregam o brilho da juventude e ostentam a chama perene da alegria e do querer. Mantenha-os sempre assim, acesos. É pelos teus olhos que vejo o mundo mais azul. É por eles que sou mais feliz.

19.6.05

Links - 2a parte

Blog do Donnini - Diário de um Amigo do Chris Cross

Este é o blog de meu amigo Thiago Donnini. O blog é recente mas conheço o autor de longa data, e posso afirmar algumas de suas qualidades com a maior tranqüilidade. Desde pequeno Donnini mostrou um senso de humor apuradíssimo - lembro-me com nostalgia dos jornais que publicava na época do ginásio. A esse humor inteligente e perspicaz, o tempo cuidou de aliar uma escrita refinada e um enorme interesse pelos assuntos sociais, sobretudo a política. Fiquei feliz quando soube que tinha montado seu blog, pois é justo que todos possamos ler o que ele pensa e escreve. Confesso também que foi a criaçao do seu blog o incentivo final para que eu criasse o meu. Enfim, estou seguro de que este link levará sempre para um bom texto, recheado de humor de bom gosto e conteúdo de qualidade.

17.6.05

Mistério


Espada na montanha (Foto de Guilherme Ramalho)

Esta foto é um mistério para mim. Nunca conseguiram me explicar o que é este traço atrás da montanha. Muita gente diz que é fumaça de avião. Digo que não, pois eu tirei essa foto e não havia aviões na região. E se tivesse não deixaria um rastro na vertical. Talvez seja mesmo somente uma improvável nuvem. Enfim, é a natureza.

Façam seus palpites!

Palavras de mulher

Era um homem solitário, de vida monótona, sempre morou só. Já no entardecer da vida, dividia seu tempo basicamente entre o trabalho e a televisão. Os amigos que restavam eram poucos, e o contato espaçado no tempo. Aventuras amorosas eram lembranças remotas ou mesmo nunca existiram. Já nem ele bem sabia. Certa manhã abre a porta para recolher o jornal e surpreende-lhe uma correspondência inesperada. Procura pelo nome do destinatário e encontra somente uma marca de batom, estampada, certamente, pelos lábios de uma mulher. Difícil exprimir a sensação que toma o corpo deste homem. Sobe-lhe o sangue, aguçam-lhe os sentidos e infla-lhe a alma. Remoçou algumas décadas nesses poucos segundos. Logo abriu a carta e deparou-se com palavras de amor. Pouco ou nada lhe importou descobrir que eram para outro homem. Naquela noite, e na seguinte e em muitas outras, dormiu feliz como há tempos não o fazia. No fim de semana foi ao parque para sentir o sol e até tirou as sandálias para tocar a grama. O sentimento, se descritível, era de leveza. Afinal, após muito tempo, recebera palavras de uma mulher.

15.6.05

Um pouco de poesia


As Rosas Não Falam

Cartola, simplesmente genial:

"Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão, enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar

Pois bem sei que não queres voltar para mim
Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti

Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhava meus sonhos"

Mais Brasil...

Eu também quero...

Acordo dará a militares desconto em escolas de todo o País

Brasília - Cerca de 400 mil militares da ativa, inativos, dependentes e pensionistas, além dos servidores civis que trabalham nas Forças Armadas, receberão descontos de 10% a 15%, no mínimo, em estabelecimentos de ensino de todo o país. O acordo para cessão do benefício será assinado hoje (15), às 15 horas, pelo secretário de Organização Institucional do Ministério da Defesa (MD), Antônio Carlos Ayrosa Rosière, e pelo presidente da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), Roberto Geraldo de Paiva Dornas. A previsão é de que, a partir do segundo semestre deste ano, 100 estabelecimentos de aproximadamente 40 cidades brasileiras já estejam oferecendo os descontos. As informações são da Radiobrás.

Brasil...

Ontem, após seu interrogatório no plenário da Cãmara dos Deputados:

Aniversário

Após deixar a Câmara, o deputado Roberto Jefferson seguiu para o apartamento em que mora na Superquadra 302 Norte, onde fez uma festa de aniversário para cerca de 30 pessoas. Jefferson, que completou 52 anos, serviu vinho, champangne, salgadinho e bolo para assessores e deputados do PTB. O líder do partido na Câmara, José Múcio (PE), era um dos convidados.

14.6.05

Cores


Cores (Foto de Guilherme Ramalho)

13.6.05

Marshmallow gigante

Outro dia me contaram a história de um homem que sonhou ter comido um marshmallow de uns 2 quilos... Quando acordou seu travesseiro havia sumido.

12.6.05

Links - 1ª parte

Aos poucos vou falar um pouco de cada um dos links que indico aqui ao lado da página.

Farei isso porque indico somente os sites que julgo muito bons e que acompanho de perto.

Começo por falar do primeiro da lista, que é para o meu outro blog, destinado somente a assuntos esportivos. Sim, a indicação é um tanto parcial mas se eu não me promover ninguém o fará!

Bom, esportes são uma de minhas grandes paixões e resolvi criar um espaço para falar um pouco sobre o assunto. Confesso que sou mais viciado no tema do que gostaria, mas não posso negar que me divirto bastante acompanhando os mais diversos campeonatos de várias modalidades pelo mundo. Futebol, basquete, volei, tênis, Formula 1, futebol americano, até baseball no final da temporada, eu acompanho de tudo. Sendo assim, mesmo que não quisesse, acabo por entender um pouco do assunto. Na pior das hípóteses, se não entendo, pelo menos tenho bastante informação reunida! Espero que a leitura seja agradável.

11.6.05

Pequenas Coisas


Tela de Selma Parreira, Tesoura


É interessante como pequenas coisas contam a nossa história. Eu identifico minha casa e revivo minha infância por meio de dois objetos aparentemente insignificantes: a tesoura da cozinha e as colheres de plástico.

Eu abro caixas de leite com aquela tesoura desde os tempos que a minha memória me permite recordar. Já mudei de casa - espaço físico - umas tantas vezes, mas sempre reconheci a minha casa naquela tesoura velha e enferrujada de cabo laranja. Ela sempre esteve ali, na gaveta ao lado da pia, perdida em meio a outros utensílios de utilidade desconhecida (sempre procurei somente a tesoura). Percebi tal fato somente outro dia, quando me dei conta de que, na mesma gaveta, há uma outra tesoura. Novinha, de cabo preto e lâminas reluzentes. Nunca ninguém a usou. Pensei que fosse nova, mas de pronto me garantiram “faz tempo que está aí”. Perguntem o porquê e ninguém saberá responder.

É curiosa também a história das colheres de sobremesa com cabo de plástico. Curiosa porque eu nunca gostei delas. Em verdade, eu desenvolvi um estranho desprezo em relação a elas – quase uma repulsa. Sempre as achei feias, ou melhor, nojentas. Por causa delas, decidi que colheres com cabo de plástico não prestam. Não sei porque, mas desde sempre foi assim. Elas de certo existem antes de mim, sempre vivemos juntos, mas confesso: eu nunca usei aquelas colheres malditas. Me dei conta disso outro dia, quando fui tomar café e lá estava uma colher com cabo de plástico dentro do meu copo. Venci o sono e a preguiça matinais e fui até a gaveta para pegar outra colher, inteirinha de metal, para abastecer meu leite de nescau e misturá-lo nele. O engraçado foi que agi naturalmente; me parecia óbvio que não usaria aquela colher de plástico no meu leite, oras. Intriguei-me com a constatação, e resolvi tentar entendê-la melhor. Acabei por descobrir coisas interessantes. Primeiro que meu irmão também odiava as colheres de plástico. Segundo que eu só uso as facas e garfos de sobremesa com cabo de plástico. Minha mãe deu risada. Minha irmã as adora. Lembrei-me de que, quando era pequeno, nunca me sentava no lugar onde havia colheres de plástico. Quando colocavam uma para mim, trocava discretamente com a pessoa do lado. Então percebi que, durante muito tempo, nunca mais colocaram as colheres de plástico para mim, mesmo sem eu nunca ter falado para ninguém de meu desprezo por elas.

Concluí, surpreso, que só podem ter sido elas, as colheres de plástico, que deram um jeito de se esconder na gaveta e nunca mais pararem na minha frente. Fazia-lhes mal o meu desprezo.

Ninguém usa muito as tais colheres, para mim na verdade elas nunca existiram, mas elas permanecerão ali, em algum canto no fundo da gaveta, enquanto esta casa existir. Estou certo disso. Elas nos viram crescer, são parte da casa, ninguém se atreveria a jogá-las fora. E se se atrevessem, eu garanto, não deixaria de jeito nenhum.

As pequenas coisas vivem em nós e nós vivemos e revivemos nelas. Por isso não gosto de jogar nada fora. Feliz é aquele que pode revirar sua gaveta ou seu armário e surpreender-se com o que ele mesmo viveu.