29.7.05

Vôo II


(Foto de Guilherme Ramalho)

Mais do mesmo!

27.7.05

Crise sem fim

Há quem defenda que o Brasil está em crise desde 1822...

A Crise e seus Desdobramentos

Minha idade à época não me permitia ter um juízo suficiente dos fatos para fazer uma comparação adequada entre a crise que resultou no processo de impeachment de Collor com a crise atual. De qualquer forma, acredito que a crise de hoje, se não for pior, ao menos é semelhante àquela de 1992.

Aos poucos, a palavra proibida começou a ser sussurrada em alguns corredores: impeachment. Com o passar dos dias o sussurro foi ganhando corpo e passou-se a ouvir em algumas rodas discussões sobre o tema. Nesse último fim-de-semana o próprio PT trouxe o assunto a público. Sarney afirmou, categórico: Lula não acaba o ano como presidente. Os mais prudentes antecipam-se em rechaçar a idéia, sob o argumento de que as implicações de tal processo seriam desastrosas para o país. Além do mais, o mandato já está no fim. Até concordo.

Entretanto, caso se prove que realmente há ligações do presidente (ou mesmo simples conhecimento) com os escândalos de corrupção apurados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, deve-se levar o assunto às últimas conseqüências, que podem ser terríveis, mas não se deve insistir num erro ou fazer vistas grossas frente a tamanha barbaridade com base em temores futuros. Não é correto. Não interessa se o Zé Alencar será o presidente ou se o Severino o segundo homem da República, nem se todo mundo faz as mesmas coisas. Devemos nos concentrar em cada fato isoladamente e ir até o fim.

Sei que é difícil mantermos a esperança e analisarmos a situação com calma nesse momento. O país inteiro está com nojo de política. Estamos todos cansados. A esperança venceu o medo somente para ser derrotada pela realidade. Ela acabou para muita gente, mas temos que acreditar. Não podemos desistir e ser indiferentes. A indiferença é o pior sentimento possível na política. E somos, em geral, como país, muito indiferentes. As pessoas gritam nos tempos de faculdade e depois se calam. “Eu não gosto de política”, é a frase utilizada para acabar com o assunto. Isso tem que mudar. A política, goste-se dela ou não, faz parte de nossas vidas.

A atual onda de indignação pode ser positiva. Um país cresce nessas circunstâncias. Temos que aproveitar a situação para tentar escancarar o mundo podre da nossa política e tentar melhorar nas próximas eleições. Pode soar ingênuo, mas talvez saiamos mais maduros desse episódio. Se a memória não for curta de novo, os escândalos atuais serão o sepultamento de muitas carreiras políticas. A sociedade civil tem participado mais, há o surgimento de ONGs voltadas para a exigência e fiscalização da transparência no trato com coisa pública, enfim, há sinais positivas. A Assembléia Legisltativa do RS, por exemplo, disponibiliza todos os seus gastos na Internet. A própria crise é um sinal positivo. Práticas contumazes e tradicionais em nossa política vieram à tona. Isso seria impensável há alguns anos.

Enfim, é difícil lembrar de coisas boas nesses tempos, mas elas existem. Também é difícil manter o ânimo e acreditar que podemos mudar, mas é necessário.

Ele sabia?

Será que o Lula sabia???

Deve ser a pergunta mais feita no Brasil desde "Quem matou Odete Roittman?"

26.7.05

Hoje

Foi lançado o novo CD dos Los Hermanos, "4", curiosamente o quarto cd da banda.

24.7.05

Vôo


(Foto de Guilherme Ramalho)

Estava na cara

Está em todos os jornais e sites especializados: Karina Somaggio, a secretária do Marcos Valério, negocia com a Playboy para posar nua nos próximos meses. Fala-se em cachê de R$ 2 milhões!

O dinheiro, diz seu advogado, será usado em sua campanha para deputada federal.

Disseram que ela foi contatada pelo PSDB para sair pela legenda no ano que vem. O slogan de campanha será "Honestidade e Coragem". O pior é saber que ela provavelmente já está eleita...

Ai, meu Brasil...

23.7.05

Momento Fernando Pessoa

Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

21.7.05

A tal entrevista

Já que toquei no assunto no post anterior (abaixo), ainda não consegui entender a tal entrevista do Lula para a repórter misteriosa em Paris. Não faz nenhum sentido. Como pode alguém contratar uma entrevista e, ainda assim, dizer algo do tipo "o PT fez somente o que se faz sistemicamente no Brasil"? É inexplicável. Até então o trabalho de associar a corrupção ao partido e dissociar o partido do governo e do presidente aparentemente funcionava. Aí, algum gênio, sob o propósito de reforçar tal estratégia, põe o presidente para falar sobre o tema e, ainda por cima, uma baboseira dessas. Incrível.

Gushi-quem?

A cada semana que passa rebaixam mais um pouco o cargo do ex-ministro ex-secretário e atual assessor especial de alguma coisa Luís Gushiken.

O até outro dia homem-chave das estratégias do PT e do governo, a seguir essa toada, terminará o ano como faxineiro do Palácio do Planalto.

O rebaixamento dessa semana deve ter relação com a desastrosa entrevista concedida por ele anteontem, ao vivo, no Jornal da Globo. Nem aquela fisionomia zen, com barbicha a la Sr. Myiagi evitou que parecesse uma criança na sala do diretor da escola. Ele não conseguiu responder a nenhuma pergunta, gaguejou o tempo todo e esquivou-se de todos os assuntos de forma, no mínimo, pouco habilidosa. Foi constrangedor. Confesso que até eu fiquei constrangido por ele. O ex-ministro devia ter seguido o exemplo do chefe e ter contratado uma repórter ad hoc para entrevistá-lo também.

Nataniel Jebão

Acabo de ler, depois de muito tempo, um texto escrito por Nataniel Jebão, o genial personagem criado pelo Fausto Wolff. Não lia nada dele desde os tempos de Bundas. Parece que agora o Fausto - Jebão aos domingos - tem uma coluna diária no Caderno B do Jornal do Brasil.

Fausto Wolff é um baita dum escritor, infelizmente desconhecido da maioria do grande público. Escrevia no antigo Pasquim, já trabalhou em tudo quanto é meio de imprensa e tem vários livros publicados. É um comunista radical com fama de mal-educado e beberrão. Não conheço a figura mas sempre gostei dos textos e livros dele. Segue abaixo o texto do Nataniel Jebão que li agora no seu sítio (www.faustowolff.org):

"Escapei da cama com leves escoriações promovidas por Jussara Petit Four, uma jovem que comprei em Bangkok e que ainda não aprendeu as sutilezas da posição da lagosta vesga. Uma coisa tão simples: a mão naquilo, aquilo na mão e aquilo naquilo da Kelly Christina, que, por sua vez, recita as atas de 1912 da Academia Brasileira de Letras para tudo ficar mais chato e, conseqüentemente, mais demorado.
Agora estou na biblioteca tomando meu desjejum, que consiste em miolos de gorila desboalizados, kümmelbrott com manteiga da Baviera, paté de clitores de andorinha da Pérsia, pois as do Iraque morreram todas. Acabado o desjejum, enquanto baforo meu Romeu e Julieta e bebo meu armagnac, olho intrigado para o Fidelito que mandei construir no jardim da mansão maldita. Ainda não consegui matar – e isso é uma metáfora – todas as dúvidas que vêm me assombrando nos últimos meses. Da última vez que o rei Çilva I esteve aqui reclamou de tudo. Pediu Milionário e Zé Rico e eu só tinha Prokofief. Pediu buchada de bode com tremoços e eu só tinha blinis de caviar. Quis jogar futebol e eu só tinha tacos de golfe. Finalmente, olhou para o Paredón e perguntou:
– O que faz este muro ali no jardim?
– Não canse a cabecinha real com besteiras como pensar. Logo vou mandar derrubá-lo, pois era para seus inimigos, fossem eles de direita ou esquerda.
– Mas eu sou uma ilha rodeada de inimigos.
– Quem tem muitos inimigos não tem inimigos – já dizia Confucio. O senhor não soube da lei não escrita mas em vigor?
– Que lei?
– Todos os partidos são legalmente compráveis. Pegue um pouco do dinheiro do FMI e distribua entre a direita e a “não tenho nada a ver com isso, só estava aqui fazendo pipi”.
– E a esquerda?
– Babá, Heloísa, a filha do Genro e o senador Jefferson Peres? Eles precisam ficar na oposição, pois na hora que o poder quiser comê-lo o senhor terá de correr para os braços de alguém.
– Ó Jebão – peça aos seus servos para me colocarem em cima do muro.
Feijoada Completa, meu assessor para assuntos marginais botou o reizinho em cima do muro. Contra o céu parecia tão inofensivo, tão insignificante.
– Em que pensas, majestade? – perguntei – e ele, roufenho sostenido:
– Penso num modo de fazer com que o povo me ame novamente.
Olhei para aquele pequeno homem de barba que, em cima daquele muro, parecia um dos ovos gêmeos de Alice no país do Espelho e me comovi:
– Isto agora é impossível, majestade. O senhor deixou que lhes roubassem a esperança. Esqueça o povo É um monstro de mil cabeças que não sabe o que quer. Mandei que servissem um traçado de vermute Du Duque com Licor de Ovo Dubar para o rei e deixei-o ouvindo deliciado o Fuska Preto na voz grave canina de Waldick Soriano.
*****
Não sou mais seu tenente interventor!
Às vezes sinto saudade do Mulatinho. Só falávamos francês, língua que preferíamos. Hoje, passados quase três anos da posse de VMRI LILU da Vossa S., ainda não aprendi a falar o petês tão cheio de nuanças roufenhas. Além disso, eu e o Cabelinho Ruim Sorbonenho não tínhamos segredos. Sempre soube que ele era um Cabo Anselmo infiltrado na soi-disant gauche, que se transformaria num neoliberal de direita assim que fosse coroado. Agíamos de acordo. Já os inimigos do operário são os seus amigos. Tudo muito complicado. Ver um ser bizarro como o Roberto Jefferson em liberdade já é estranho. Como classificar o ato de dar-lhe um cheque assinado e em branco? Qual hospício entenderia?"

Elegia à Loucura

Elegia à Loucura

ser louco é uma arte.
é uma arte que descortina a realidade como ela é,
em tons selvagens e cores peregrinas,
em luas vazias em um mar revolto, vazio,
em flores brutas que choram a noite
por seus orvalhos que voam.
ser louco é querer descerrar a história do mundo
em pequenas e curtas palavras
e dizer que o coração caminha pelos campos
e quando chega a lugar algum,
Felicita-se e grita, para o mundo, que chegou.

Pedro Campos 11.07.2003

19.7.05

Cinema - Julio Medem

Acabo de perceber que, com mais de um mês de blog, ainda não escrevi sequer uma linha sobre cinema, uma de minhas paixões. Isso não está certo. Definitivamente estou em falta com a telona. Não só tenho visto poucos filmes como pouco tenho me interessado pelo tema, visto que nada escrevi.

Bom, para começar a preencher essa lacuna, falarei um pouco sobre um de meus diretores favoritos da atualidade, o espanhol Julio Medem (o outro é o Lars Von Trier). Somente dois de seus seis longas foram distribuídos no Brasil e podem ser encontrados com alguma facilidade, Os Amantes do Círculo Polar e Lúcia e o Sexo. A maioria das pessoas conhece o diretor por meio de um desses dois filmes. Eu também comecei por eles, com os Amantes para ser exato. E me apaixonei logo de cara. Os dois filmes são belíssimos. Duas lindas histórias de amor, com panos de fundo diferentes mas uma identidade comum.

Medem faz cinema com paixão. E essa paixão transparece em todos os seus filmes. Seus temas favoritos são o amor, o efeito do tempo e as coincidências. Adora brincar com essas variáveis. Seus atores (que se repetem em vários filmes) também são fantásticos, com atuações normalmente fortes e marcantes.

Depois de muito procurar, vasculhar locadoras de SP e quase importar DVDs da Espanha, tive finalmente a “brilhante” idéia de baixar seus outros filmes pelo eMule. Já assisti a Vacas e a La Ardilla Roja (geniais), e ainda faltam Tierra, tido por muitos como o melhor, e La Pelota Vasca, um polêmico documentário lançado no ano passado sobre a questão do País Basco, que inexplicavelmente não veio para o Brasil.

Já recomendei seus filmes para muita gente e agora tenho a chance de fazê-lo para vocês que perdem seu tempo lendo este blog. Aluguem ou procurem na TV a cabo pelos Amantes do Círculo Polar e por Lúcia e o Sexo. Se gostarem ou se já viram e gostaram, peçam-me os outros que passo os arquivos com o maior prazer.

18.7.05

Pânico no Pânico

Acabo de ler notícia que dá conta da queda nos índices de audiência alcançados pelo programa Pânico na TV (a média caiu de 9,9 para 7,1 pontos do Ibope). Em tempo! Não sou telespectador do programa, devo ter visto um ou outro quadro por casualidade, mas obviamente sempre fico sabendo das suas "travessuras" pelos comentários das pessoas ou pela repercussão que atingem na imprensa.

Não consigo gostar desse tipo de humor baseado, principalmente, na humilhação alheia. E ainda exercido de uma forma má-educada e grosseira. As "piadas" dos integrantes do programa constituem, certamente, uma preciosa lição para as nossas crianças. Para toda a população também.

Falando sério, o programa incita o desrespeito pelo próximo de forma explícita. É um absurdo. A história das sandálias da humildade, embora engraçada, é muito ofensiva. Temos sempre a inclinação a dar risada, mas não deveríamos. Não é legal. Outro dia queriam dar uma sandália de elefante para o Jô Soares. Ficaram tirando sarro dos tais 6 dedos da Cicarelli (nem sei se é verdade), e várias outras. Eles não podem exigir o que definitvamente não têm: a tal da humildade.

Os caras são engraçados, têm boas sacadas, mas definitivamente exageram. Podiam tentar canalizar sua criatividade para outros fins menos chulos. Enquanto continuarem a desrespeitar a tudo e a todos, continuarei a torcer para que acabem de vez. O que, aliás, não julgo que será necessário, pois programas dessa natureza tendem a não ter muito fôlego. As pessoas se cansam.

16.7.05

Lonas e Toldos


Foto de Ameris Paolini

15.7.05

O País da Fila

Vocês já repararam como o pessoal gosta duma fila nesse país? Basta aglomerar um pouco de gente que já se forma uma filinha...

Aqui se faz fila para tudo. Chega até a ser engraçado. Já conheci muitos estrangeiros que se disseram impressionados com a "organização" do nosso povo. Sim, a cultura da fila indica respeito pelo próximo e um senso curioso de organização, mas permite também algumas outras considerações.

Eu interpreto a mania por fila mais como um reflexo da história do país e da identidade do nosso povo do que como sintoma de civilidade. O brasileiro é otimista. A realidade o contesta. A fila representa a possibilidade de algo melhor. O sujeito vê uma fila e logo imagina uma oportunidade. Faz-se fila para vaga de emprego, para entrar em bar, para almoçar, para pagar conta, para tirar documento, para ganhar brinde, para votar, para parar o carro, para entrar no ônibus, no banco, na loja, no café, no chuveiro da praia, para jogar na loteria, enfim, para sonhar. O brasileiro entra na fila sem sem saber do que se trata porque o incerto, por poucos segundos que seja, faz com que se esqueça de seu presente.

A fila fornece uma imagem interessante: representa ao mesmo tempo o sonho e a espera por um futuro melhor e um passado de sofrimento, de cabeça baixa, de "sim, senhor".

E tem mais: toda fila tem alguém querendo furá-la, algum esperto tentando levar alguma vantagem sobre o resto dos "babacas". Isso lembra alguma coisa?

Paixões e Desejos

“Destruir as paixões e os desejos, apenas como medida preventiva contra sua estupidez e as conseqüências desagradáveis dessa estupidez – hoje isso nos atinge como nada mais que uma outra forma aguda de estupidez”

Nietzsche, Crepúsculo dos ídolos

14.7.05

Daslu

As últimas atuações da Polícia Federal foram um tanto quanto exageradas e caça-holofotes, entretanto não se pode negar que denotam uma significativa evolução. Há alguns anos seria impensável que empresas desse porte sofressem represálias dessa intensidade. Cabem diversas críticas aos critérios e às práticas da PF, mas estou seguro de que tem muita gente assustada por aí...

Links 4ª parte

O quarto link ao lado (na verdade agora o quinto, pois o Blog do Estevão furou fila) é para o portal No Mínimo, um reduto de bom jornalismo na Internet. Acredito que a maioria provavelmente já o conheça, mas fica aqui a dica para os demais.

O NoMínimo, herdeiro direto do antigo no.com (notícia e opinião), obrigado a fechar faz uns 4 anos por problemas financeiros, é um dos meus abrigos mais freqüentes na grande rede.

Atualmente o foco do site são seus articulistas, de altíssimo nível, sempre a comentar os acontecimentos da atualidade, cultura, história, economia ou qualquer outro assunto de interesse. A marca comum a todos é a escrita inteligente e de qualidade.

Há os articulistas mais freqüentes, como Mario Sérgio Conti, Zuenir Ventura e Tutty Vasques, e outros esporádicos, como o advogado Sérgio Bermudes ou João Moreira Salles. Há também reportagens especiais, além de espaços com fotografias e obras de arte. Eu confesso que gosto mesmo dos articulistas.

Resumindo, é um ótimo lugar para manter-se não só bem informado mas também para ajudar no embasamento às suas opiniões. Boa leitura.

PS. Vai aqui uma pitadinha do refinado humor de Tutty Vasques:

Será?
Preguiça gigante encontrada na Bahia pode ser tia-avó de Gilberto Gil. Só se fala disso no Ministério da Cultura.

Ah, bom!
Tarso Genro esclarece: “O juiz que roubou o Botafogo no clássico com o Fluminense não é filiado ao PT.”

11.7.05

Google Earth

Instalei na semana passada esse programinha no meu computador. É fantástico. Combina poderosas imagens de satélite com mapas e informações do próprio google e nos permite localizar qualquer local do globo em segundos. As fotos de satélite permitem uma visibilidade completa da Terra. O programa dá ainda todas as coordenadas geográficas bem como a altura da vista que se tem a cada momento. Em São Paulo é possível identificar quase tudo (prédios, casas e ruas) com uma nitidez impressionante. Hoje fiz um passeio pelas pirâmides do Egito, Buenos Aires, Paris, Tóquio, São Paulo, Rio de Janeiro e pelo nosso litoral. Nos EUA o programa indica o nome de todas as ruas, endereços comerciais, é impressionante. É de fazer os velhos atlas invejosos. O programa também é de fácil manuseio. Enfim, altamente recomendável. O download é gratuito em earth.google.com. Também é possível usar a ferramenta pela Internet, pelo site maps.google.com, porém os recursos são mais escassos e a navegação mais lenta.
O incrível é que além do programa gratuito há mais duas versões pagas disponíveis para download. Fico a imaginar a precisão e a nitidez das imagens que essas versões geram. Imaginem também as ferramentas que os serviçoes de inteligência possuem! É de assustar.

- É impressionante a presença da empresa Google na nossa vida moderna. O site de busca já há algum tempo virou sinônimo de oráculo. O Gmail foi adotado por muita gente nos últimos meses. O Orkut está ligado ao grupo. Eles não param de desenvolver ferramentas novas, como esse serviço de mapas por fotos de satélite ou o Google Scholar (também interessantíssimo: scholar.google.com). Aposto que há vários outros que eu também não conheço. Espero que tal acúmulo de informações e capacidade de criação continuem a traduzir-se em serviços gratuitos que facilitam a vida de todos. Agora, não se pode negar que é de assustar pensar que uma única empresa privada possui tanta informação e inteligência juntas. Não quero soar maniqueísta, mas que o Google sempre esteja do lado do bem! :-)

- É também incrível a quantidade de piscinas que se observa nos bairros ricos de São Paulo.

- É bacana também comparar a vista do Saara com a da Amazônia.

8.7.05

Lonas e Tiras


Foto de Ameris Paolini

Para dar um pouco de trégua às palavras. O blog estava ficando muito sisudo.

Alguns Pitacos

Referendo sobre o Comércio de Armas de Fogo:

Referendos e plebiscitos são uma importante ferramenta da democracia, infelizmente muito pouco usadas em nosso país. Agora, cá entre nós, esse referendo sobre a proibição do comércio de armas de fogo e munição me parece uma grande piada. Primeiro porque de certo será inócuo. Falo sem estatísticas na mão, mas não acredito que a proibição do comércio de armas desarmará qualquer bandido ou implicará em drásticas reduções nos índices de criminalidade. É igual àquelas campanhas de desarmamento, lindas na teoria e ineficazes na prática. Resultam no mais das vezes em filas de viúvas com espingardas e revólveres enferrujados que dormiam no fundo do armário. Segundo porque obviamente há assuntos mais importantes que mereceriam uma consulta popular antes desse. A realização de um referendo não é brincadeira, ainda mais num país do tamanho do nosso. O custo é muito elevado. O voto é obrigatório e envolve todo o aparato eleitoral do estado. É como se fosse uma eleição para prefeito ou presidente da república. Enfim, uma medida um tanto quanto desproporcional para um assunto que é muito mais uma bandeira política do que qualquer outra coisa. E pior, haverá propaganda gratuita na televisão por 30 dias, a partir de setembro. Tudo isso a um ano das eleições presidenciais e governamentais. Sei, sim. Me engana que eu gosto. Não tem palanque melhor. Não que a violência não seja um problema sério, a violência doméstica inclusive, mas referendo para comércio de armas, a essa altura, é um pouco demais.

Espanhol obrigatório

A Língua Espanhola será disciplina optativa no currículo do Ensino Fundamental em todo o país. Já não é sem tempo. Deveria ser obrigatória, vivemos cercados por países de língua espanhola. Sim, somos latino-americanos, por mais estranho que possa parecer a algumas pessoas desta terra de Daslus e afins.

Terror em Londres

Triste, muito triste. Mas nos permite refletir sobre uma das grandes vantagens desse nosso Brasil. Vivemos numa terra essencialmente de paz. Não temos inimigos. Aqui todos os povos se unem e são felizes. Nossa maior riqueza é o nosso povo e sua cultura. Que assim sempre seja.

6.7.05

Em tempo

Esse imbecil deveria estar preso.

Que nojo

Que nojo.

Mais de uma da manhã e tenho o desprazer de assistir à entrevista de Roberto Jefferson no Programa do Jô. Eu no computador, a televisão no mudo. Ativei o som quando vi quem era o entrevistado na esperança de ouvir algo interessante. De cara me arrependi de minha ingenuidade. A alegre conversa fluía entre risos da platéia entretida com as inovadoras piadas do Jô e o irresistível charme do ex-advogado de júri. Entre risos e piadas sobre gordos (jefferson pesava 180kg) e amenidades em geral, Jô ingenuamente pergunta para o ilustre deputado: "o senhor tem feito aulas de canto, não?". O sempre sorridente deputado, esse verdadeiro herói da nação, por incrível coincidência, havia trazido um livro com partituras e letras de músicas. Que homem precavido! Após agradecer as suas queridas professoras, o nobre parlamentar termina sua entrevista cantando junto ao quinteto ou sexteto do Jô, sei lá, sempre com aquele sorriso no rosto, uma divertida música italiana. A platéia, em delírio, aplaude e canta em coro: "Mais um, mais um...".

Por favor, me poupem. Minha vontade é de mandar todo mundo para a ..... Depois reclamam da corrupção. Chego quase a pensar que é merecido. Enquanto não evoluirmos como sociedade, enquanto não desenvolvermos qualquer espécie de pensamento de cunho coletivo, esse país não anda. Lamentável, triste, brochante. Boa noite.

5.7.05

Roupa fora da mala

Quando volto para casa, minha roupa está sempre fora da mala. Mala vazia numa mão, o resto equilibrando-se onde der. Acumulo as coisas fora de ordem para que depois elas se rearranjem sozinhas. Minha interferência é a não interferência. Busco a harmonia na desorganização. Vivo o hoje para amanhã poder olhar para trás e querer mudar. Incomoda-me o ambiente muito organizado. É no inesperado que mora a alegria. É em viver o novo que se aproveita o passado. Planejo o amanhã mas deixo espaço para surpreender-me. Entro consciente na contramão. Não arrumo a mesma mala duas vezes, mas sempre trago-a comigo. Revivo o passado nas mãos do presente, com os olhos no futuro. As roupas que couberam na mala de ontem já não cabem na de hoje. É outro dia. Mas sempre trago tudo comigo. Ok, talvez eu seja mesmo somente preguiçoso.

Não vai sobrar ninguém...

Dirceu já caiu, Genoíno está na corda bamba. Dizem as más líguas que vem aí escândalo sobre o cartão de crédito do filho do Lula. Aí a vaca vai pro brejo de vez. É esperar para ver.

Vai sobrar só o Suplicy.

Criminalidade em SP

Saíram os últimos dados do SEADE sobre a criminalidade na Grande São Paulo. Os números continuam absurdos, coisa de 35 homicídios para cada 100 mil habitantes, mas indicam importante melhora (a taxa era de quadse 60 em 2000). O Brás é o novo líder do ranking, com taxa de 91/100 mil. A Consolação e Perdizes, por exemplo, apresentam taxas de primeiro mundo, com menos índice abaixo de 2. Do Brás a Consolação devem ser menos de 5 quilômetros. O retrato de São Paulo. De positivo verificar que os líderes históricos nesses levantamentos tiveram significativas quedas em suas taas de homícidio, tais como o Jardim Ângela, Guaianazes, Grajaú. Sinal de que as políticas públicas aplicadas nesses locais deram certo. Sinal de que é possível melhorar a situação. Sinal de que ainda resta muito a se fazer.

(Taxas de homicídio são um importante indicativo da violência pois apresentam baixa cifra negra, ou seja, é um crime que é quase sempre informado à polícia. Dados de furtos, por exemplo, não são confiáveis para se analisar a violência de dada região, pois muitos não são relatados à polícia e não integram as estatísticas oficiais. A essa diferença entre os dados reais e oficiais denomina-se cifra negra.)

2.7.05

Obras no Centro de São Paulo - Parte 1

A gestão Marta Suplicy iniciou o processo de revitalização do centro de São Paulo e a nova prefeitura de José Serra segue a mesma linha. Nas últimas semanas Serra anunciou a abertura de licitações para obras interessantes, como a remodelação das praças da República e da Sé, a construção de estacionamentos subterrâneos nos entornos do Fórum João Mendes, Teatro Municipal e Mercadão e a revitalização da Rua Avanhandava.

Estão em estudo também e devem ser anunciadas nas próximas semanas obras mais polêmicas, tais quais a abertura de muitos dos belos calçadões da região, como a Rua 24 de maio, a Formosa e a Barão de Itapetininga.

A ONG Viva o Centro e a Associação dos Comerciantes da região apóiam a idéia.

Tenho fortes restrições às obras de abertura das ruas somente para pedestres do centro. São 27 calçadões, muitos deles belíssimos, que não podem ser abertos somente para satisfazer os interesses do comércio. Fica claro que a pressão dos comerciantes para que se consume a abertura das ruas está diretamente ligada à disseminação da presença de camelôs nessas localidades. Nesse ponto não podemos tirar-lhes a razão. Os camelôs comercializam, em sua maioria, produtos contrabandeados ou piratas a preços muito baixos. Obviamente não pagam impostos e prejudicam comerciantes, pedestres, enfim, enfeiam e sujam a cidade também. São um típico produto social brasileiro. A saída mais fácil para tirar os ambulantes da região parece ser apoiar obras que acabem com o seu local de trabalho, os calçadões. Não consigo concordar com essa idéia. A questão principal aqui é a revitalização da região central, que visa torná-la novamente um lugar agradável, com menos violência e mais atrativos que estimulem as pessoas a voltar a freqüentá-lo.

Não acredito que para se revitalizar o centro e estimular o comércio e a volta de grandes empresas deva-se abrir ruas como a Barão e Itapetininga e a Rua Formosa (no Vale do Anhangabaú). O principal problema do Centro, que afasta as grandes empresas e os consumidores das classes mais abastadas, é a violência. As pessoas têm medo de ir ao centro. Há muita miséria pelas ruas. Às oito horas da manhã, a 20 metros do camburão da polícia, todos os dias pode-se ver jovens usando drogas livremente. A situação chegou a um ponto em que a miséria e a degradação da condição humana não incomodam mais as pessoas. Ou melhor, podem até incomodar, mas todos já se acostumaram com isso. Virou “normal”, “uma pena”. Eu me incluo nessa crítica, mas acredito que a responsabilidade principal seja dos órgãos públicos de controle. Os moradores de rua – a maioria com claros problemas mentais – vivem sob as pontes envoltos em suas excrescências e trapos imundos. O comércio de baixo nível, ligado à prostituição, p. ex., está por todos os lados. Isso é o que afasta a população mais abastada e prejudica o comércio do centro, não a falta de ruas asfaltadas, por favor.

Tome-se como exemplo ruas de comércio abertas para o trânsito de veículos, como a 25 de março ou a José Paulino. São um verdadeiro caos, e cheias de camelôs nas suas calçadas estreitas. O centro é formado por ruas estreitas e marcado pela ausência de locais de estacionamento. Seu grande trunfo é a facilidade de acesso de qualquer ponto da cidade pelo transporte público. Quase todas as linhas de metrô e ônibus confluem na região. Parece-me utópico e ingênuo acreditar que a abertura de ruas para automóveis vá afastas camelôs e incentivar a presença do consumidor de classe média alta na região. O que afasta as pessoas é a falta de conforto e a sensação de insegurança.

Obras no Centro de São Paulo - Parte 2

Não conheço nenhuma grande cidade do mundo que tenha revitalizado sua área central por meio do incentivo ao trânsito de automóvies. Pelo contrário, em todos os lugares civilizados, restringe-se o acesso de veículos e incentiva-se o trânsito a pé. Estimula-se a ida ao centro pelas atrações culturais, turísticas e históricas. O centro torna-se um lugar agradável, seguro, e comércio instala-se e beneficia-se da situação. A recente revitalização do centro de São Paulo tem tido sucesso quando aliada à promoção da cultura e de atividades de lazer. O centro tem muito a oferecer. Exemplos rápidos são o Centro Cultural Banco do Brasil, o Pátio do Colégio, o Mercado Municipal, o Teatro Municipal etc. Esta é a linha a ser seguida. O comércio será beneficiado se o centro tiver a capacidade de atrair as pessoas pelos seus encantos históricos e culturais.


E há outras saídas - mais viáveis, por sinal - que não implicam a destruição de parte importante do patrimônio arquitetônico-urbanístico da cidade. A prefeitura deve tomar ações firmes na erradicação da violência no centro. Deve-se tirar os moradores de rua na região, que são muitos, e levá-los para centros de reabilitação onde possam recuperar sua condição humana. Deve-se afastar os jovens que perambulam pelo centro a consumir drogas e realizar pequenos delitos e tratar de dar-lhes condições de um futuro melhor, ou levá-los presos. A criação de cinturões agrícolas ao redor da cidade ou a promoção de obras onde essas pessoas tenham preferência para conseguir o emprego são algumas idéias. Deve-se ter uma ação forte contra os vendedores ambulantes ilegais. Que se promova os tais shoppings populares e se fiscalize com rigor mesmo quem não se enquadrar à lei. Sim, essas ações são complicadas pois envolvem muita gente e interesses políticos. São delicadas, mas devem ser realizadas. Se não houver uma interferência firme dos órgãos do governo e da polícia, essas pessoas dificilmente sairão da condição atual em que se encontram por forças próprias. Eles não têm a mínima condição de se enquadrar em nossos parâmetros sociais.

Agora, é inadmissível que a nossa incapacidade administrativa se traduza em obras sem sentido. Não é porque não conseguimos lidar com a violência ou erradicar a miséria que devemos buscar saídas ineficientes que ameacem o patrimônio urbanístico da cidade, como o Vale do Anhangabaú. E deve-se ter também mais responsabilidade adminsitrativa também, pois há gastos muito mais relevantes a serem feitos, viários ou não.

O centro de São Paulo é muito bonito, com construções imponentes e uma inestimável riqueza histórica e humana. É um programa interessantíssimo passear por suas ruas e conferir a diversidade de coisas e pessoas que se encontra por lá. Melhorou muito nos últimos anos e a tendência é de que continue assim, tendo em vista as diversas obras benéficas a serem realizadas. Entretanto, jamais pode-se perder de vista o objetivo principal de todas essas ações: tornar o centro um lugar agradável. A abertura de ruas para automóveis somente colaborará com o aumento do caos da região e, acredito, não trará qualquer benefício considerável para o comércio nem constituirá incentivo relevante para a volta de grandes empresas à região.

1.7.05

O brilho dos teus olhos

Ontem à noite...

Era noite daquelas como todas as outras, bem normal mesmo. Carros, prédios, melancolia, estrelas escondidas pelo céu esbranquiçado da cidade grande e eu com algum sono e um pouco mais de cansaço. De repente lhe vi e você olhou para mim. Sorri, levemente. Tudo fizera sentido.

Gênio

Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já
É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.
És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.

Fernando Pessoa, 5/6-2-1931