28.9.05

Paradoxo

Durmo já pensando em acordar.

Quando acordo só penso em voltar a dormir.

25.9.05

Escândalo da arbitragem

O que mais assusta nessa história toda é que se tratava de um esquema meio amador, do estilo golpe na padaria. Os caras chegavam, ofereciam 15 contos por juiz e apostavam num site clandestino. Mostra toda a fragilidade do sistema. Passa a impressão de que qualquer um pode chegar lá e modificar a história de um campeonato onde clubes e grandes empresas investem uma quantidade enorme de dinheiro.

Espero - e acredito - que se trate de um fato isolado, mas deve funcionar como um alerta. Não é possível que essas coisas aconteçam a toda a hora.

22.9.05

Quarta-feira agitada

Renúncia do Severino, depoimento do Daniel Dantas... As coisas estão andando. Torço para que a imprensa continue cobrindo de perto a crise e para que a opinião pública continue a pressionar. Temia que a prisão de Maluf e o próprio caso do Severino tirassem um pouco da força da pressão por resultados e trabalho nas CPIs dos Correios e do Mensalão. Felizmente, parece que não.

Falando em prisão do Maluf, trata-se de mais um sinal inequívoco da evolução da democracia e das instituições no Brasil. Tendemos a querer e exigir mudanças imediatas, temos pouca paciência, porém uma sociedade amadurece e progride de forma lenta. As coisas não acontecem do dia para a noite. Nossa nova constituição não tem nem 20 anos. Eu sempre defendo a tese de que o Brasil está melhorando. Quem imaginava que o Maluf seria preso e, passada uma semana, continuaria na cadeia? Quando antes o submundo da política veio a público como agora? Enfim, são diversos os sinais positivos. Encarando os fatos numa perspectiva histórica, o balanço dos últimos quinze anos é muito bom.

20.9.05

Harmonia


Torres del Paine, Chile. Todo mundo deveria visitar um dia. É o meu fundo de tela no computador.

18.9.05

Crônica de uma tarde paulistana

Mauro levou a filha Mônica à FNAC para tentarem descobrir qual era o problema do Ipod que a menina ganhara do tio Osvaldo e que havia parado de funcionar. Como o produto não fora comprado na loja, não conseguiram ajuda. Voltaram para o estacionamento, esperaram o carro por cerca de quinze minutos – enquanto isso tiraram uma foto com a vaca exposta na calçada, impacientaram-se e finalmente foram embora.

Carlos e Laura foram comprar ingressos para dois shows. Após aguardarem na fila por mais de trinta minutos, descobriram que o pagamento só podia ser feito à vista. Tiveram que voltar para casa. Antes de sair, contudo, aproveitaram para ver os últimos modelos de telefone celular e brincar com alguns laptops em exposição.

Gérson levou a família para passear após o almoço. Enquanto folheava alguns livros sobre gastronomia e psicologia no segundo andar, sua mulher Sandra bebia um café e comia um pedaço de bolo para acompanhar a leitura da revista recém-comprada. Seus dois filhos divertiam-se na seção de videogames. Dali a vinte minutos procurariam o pai para pedir que comprasse um novo jogo de corrida. A mãe continuaria a ler a sua revista até que o marido a chamasse para irem embora.

Edgar andava de bicicleta pelo bairro e parou para olhar alguns CDs e DVDs. Não procurava nenhum título específico, somente decidiu postergar em mais alguns minutos sua chegada em casa. Acabou por comprar um disco novo de um artista desconhecido, mas muito bem recomendado pelo vendedor simpático. Na saída, encontrou seu amigo Alexandre. Havia meses que não se viam. Tomaram um café na praça e conversaram por uns vinte minutos. Depois, trocaram telefones e foram para casa.

Sebastião ajeitava seu cachecol enquanto lia o jornal sentado em sua cadeira de praia na calçada da praça. De soslaio, acompanhava os movimentos de Cláudia. Já fazia uns cinco minutos que a moça observava seus quadros ali expostos. Voltou os olhos para o jornal quando ela se virou em sua direção. Cláudia ainda passaria mais vinte minutos a observar as obras de outros artistas talentosos e desconhecidos que expunham seus trabalhos na praça. Ela iria embora e eles continuariam ali, a conversar uns com os outros, ler jornal e livros, tricotear, pintar e explicar suas obras para quem se interessasse.

Guilherme entraria em seu carro, daria cinco reais para o guardador de carros, pegaria quatro de troco e iria embora visitar seu avô.

14.9.05

Entrevista do Gerald Thomas

Essa entrevista dele para o pessoal do nomínimo é muito engraçada (e boa também). Sério, eu me diverti demais lendo as suas histórias e opiniões. Ele é muito, mas muito louco. Enquanto eu escrevo esta nota estou inclusive ouvindo a íntegra da entrevista. Vale a pena.

Uma palhinha:

- É verdade que a Fernanda Montenegro e a Marilia Gabriela foram as únicas mulheres com quem você trabalhou e não transou?
- Não! Com a Camila Morgado também não...
- Então você transou com a Tônia Carreiro?
- Desculpa, com ela também não, se bem que me deixa pensar aqui, houve sim um certo momento...
- Com a Tônia Carreiro, cara?
- É, houve ali uma noite em que estávamos todos muito doidos. Eu não lembro direito, não sei, eu juro que não me lembro direito. Não me lembro de muita coisa. Às vezes eu tenho que perguntar: “vem cá, eu te comi?”.

Mais tecnologia: IPTV

Para quem se interessa por tecnologia, indico a leitura desta matéria da BBC sobre IPTV (Internet Protocol TV). É a televisão por banda larga, a fusão da televisão com a Internet. O conceito é o mesmo de VoIP. Transmissão de vídeo pela rede por pacotes de dados, não mais por cabo ou satélite. Pode ser usado para transmissões ao vivo ou sob demanda (VOD). Os especialistas da área indicam que é o futuro (próximo) da TV e que vai revolucionar o modo como a utilizamos. Bem interessante.

12.9.05

Intensidade das emoções

(Foto de Mirian Fichtner, Rio Negro)

A discussão surgiu, como não poderia deixar de ser, numa mesa de bar: vivemos, para cada episódio, emoções e sensações sempre diferentes ou temos uma gama limitada de emoções e sensações que variam somente em intensidade, conforme a relevância da situação?

Por exemplo: ao longo do dia temos vários momentos de pequena alegria. Quando uma pessoa vence uma acirrada disputa sente essa mesma alegria numa intensidade potencializada ou a sensação é completamente diversa?

Racionalmente, tendo a crer que varia somente a intensidade do que sentimos, mas talvez seja menos pela natureza dos sentimentos do que pela limitação do vernáculo, que abrange sob o mesmo vocábulo uma série de sentimentos distintos. E é claro que não é pela razão que vamos compreender os sentimentos e as emoções. A questão complica-se mais um pouco quando pensamos nos eventos ligados à origem e ao fim da vida, os momentos de emoções extremas. Dizem que a alegria que se sente pelo nascimento de um filho é inigualável. Eu ainda não tive filhos para melhor opinar. A dor pela perda inesperada de pessoas queridas também possivelmente não comporta comparações. Ou seja, essa perspectiva indica que talvez de fato não sejam sempre os mesmos sentimentos, mas sim sensações únicas, incomparáveis. (e é sem dúvidas mais gostoso pensar que vamos sempre conhecer novas sensações)

A discussão se estende: se já conhecemos todas as sensações humanas, quando isso ocorre? Se faz sentido pensar que a descoberta da maioria dos sentimentos se dá durante a infância e a adolescência, não há como negar que me sinto como se estivesse sempre a redescobrir a mim e ao mundo.

É interessante notar também como a intensidade dos sentimentos nem sempre faz sentido. É normal que se sinta uma satisfação maior por coisas menores. Às vezes nos dedicamos imensamente a uma causa e ao final o sentimento interno de conquista, de recompensa é ameno, quase frustrante. Por exemplo, a felicidade que sente um jogador de futebol ao ganhar a Copa do Mundo é necessariamente maior do que a que ele mesmo sentiu ao ganhar o campeonato infantil do seu bairro?

Enfim, o assunto vai longe... São muitos os fatores que influenciam o modo como percebemos e reagimos aos acontecimentos. A psicologia deve ter suas respostas e suposições. Eu só sei que dá um papo bom. Não tenho opinião formada. Aliás, acho que jamais terei. Pelo menos até a próxima cerveja.

9.9.05

Plim Plim

O México voltou a exigir visto de brasieliros que lá queiram entrar. A medida foi adotada em função de pressão dos EUA, pois tem aumentado o número de brazucas que tentam usar a antiga terra dos astecas como porta de entrada no país. Será que a novela das 8 tem alguma coisa a ver com o aumento de brasileiros atrás do "sonho americano"?

Severino

O melhor da triste crise que abate o país são os pronunciamentos do Severino. Será uma pena se ele for afastado e sumir da mídia. O melhor vídeo que vi na Internet este ano é aquela enterevista dele para a TV Câmara. Genial, para não dizer ridículo. Hoje no Jornal Nacional, vi trechos de sua entrevista coletiva em NY, desmentindo as acusações do mensalinho. Quando seus assessores interromperam e foram retirá-lo da mesa para acabar com a entrevista, Severino relutou em sair, dizendo que com tanta moça bonita na sua frente, não tinha com o que se preocupar, ele ficaria ali a noite inteira... É ou não é um galã?

7.9.05

Revolução Tecnológica

Clique aqui para ler matéria da The Economist sobre os novos padrões da comunicação por voz e os impactos da tecnologia VoIP sobre as empresas tradicionais de telefonia fixa e também móvel, à medida que o WiMax se popularize e derrube de vez quaisquer barreiras ainda restantes à conectividade total.

Será o fim dos fios. As empresas de serviços de comunicação (telefonia, tv a cabo etc.) terão que buscar novos meios de fazer dinheiro. Ou seja, novos serviços. O consumidor pagará pelo contéudo, por qualidade, uma vez que o acesso à comunicação será abundante. A tendência é que haja uma fusão dos meios transmissores de informação de imagem, dados, voz, talvez até energia. Com a tecnologia WiMax estabelecida, por exemplo, teremos a transmissão de informações em alta velocidade em qualquer ponto do território. Basta ter um laptop, ou mesmo um PDA, e a pessoa poderá navegar na Internet em qualquer lugar. Poderá, portanto, usar o Skype para fazer telefonemas. Adeus, celular.

E esse futuro está muito próximo. Se não me engano, Hong Kong já tem a totalidade de seu território com cobertura de rede sem fio. Foi um projeto da prefeitura local. As Ilhas Maurício pretendem tornar-se, até o fim do ano, o primeiro país completamente coberto por rede sem fio. A intenção é tornar o longínquo país africano numa referência internacional de tecnologia e atrair investimentos. As coisas evoluem muito rápido. Se nós não paramos para pensar, não pecebemos a velocidade com que tudo muda. E o interessante é que as novidades simplesmente entram em nosso dia-a-dia, quase que com naturalidade. É estranho pensar que há 6 anos muito
pouca gente tinha celular ou e-mail. É a Revolução Tecnológica.

4.9.05

Carona

Assisti hoje a 2 Filhos de Francisco, o filme sobre a trajetória de Zezé di Camargo e Luciano. A história é muito bonita, o filme emociona sem ser piegas, é bem feito, enfim, no geral é muito bom.

Mas não foi isso que me trouxe a escrever aqui. Tinha uma impressão que o filme só fez reforçar. Luciano é o maior carona da história da música brasileira. É impressionante como ele não faz nada. Desde pequeno, quando primeiro vi a dupla no Sabadão Sertanejo do SBT, nunca entendi bem o papel de Luciano. Ele não tocava nada e cantava somente nos refrões, bem baixinho, quase que com vergonha. Pois o filme não deixa a menor dúvida de que eu estava correto. É impressionante!

Eu não tinha certeza sobre quem era o maior carona da nossa música: Luciano ou Júnior. Sem dúvidas é Luciano. O cara é um gênio. Júnior ainda se esforça, toca vários instrumentos, aventura-se em projetos paralelos. Luciano não. Só curte a vida boa. Está cada dia com mais cara de baladeiro, inchado. Se a versão que o filme conta sobre como embarcou na vida de cantor estiver certa, o cara definitivamente é diferenciado. Fantástico.

3.9.05

Força de Vontade

Em meio a tantas notícias tristes, a tantas catástrofes, corrupção e violência, emocionei-me com a imagem da senhora potiguar de 103 anos que acaba de aprender a ler. Que bonito.

Impressões

- São desoladoras as imagens da destruição causada pelo furacão Katrina. Quando um desastre dessas proporções ocorre nos EUA, na cara da mídia mundial, os registros em imagens são muitos e são impactantes. As imagens são fortes. Comunicam por elas sós. E trazem junto consigo algumas mensagens importantes. O desastre desnudou ao mundo uma outra face da realidade americana. As cenas de resgate mostram hordas de homens e mulheres, quase todos negros, famintos, sujos, desesperados. Sai a disneylandia e entra a realidade africana. Dentro de casa. É de se pensar. Os EUA, a terra da prosperidade, a meca capitalista, e milhares de negros, pobres, desamparados. O governo, em pânico, nada consegue fazer. Ninguém tem noção de quantos são os mortos. De quantos ainda vão morrer. De quanto tempo levará para a situação ser contornada. É uma verdadeira catástrofe. O caos social. As alusões de O ensaio sobre a cegueira, de Saramago, são precisas. A condição humana desafiada e defraudada.

- Fenômenos como esse mostram a pequenez do homem frente a natureza.

- Também mostram uma face muito bonita do ser humano. A solidariedade.

- No Brasil, em Muitos Capões, RS, a natureza também deixou suas marcas. 80 famílias estão desabrigadas. O caminho da reconstrução é o mesmo. Solidariedade, organização social e muito trabalho.