12.9.05

Intensidade das emoções

(Foto de Mirian Fichtner, Rio Negro)

A discussão surgiu, como não poderia deixar de ser, numa mesa de bar: vivemos, para cada episódio, emoções e sensações sempre diferentes ou temos uma gama limitada de emoções e sensações que variam somente em intensidade, conforme a relevância da situação?

Por exemplo: ao longo do dia temos vários momentos de pequena alegria. Quando uma pessoa vence uma acirrada disputa sente essa mesma alegria numa intensidade potencializada ou a sensação é completamente diversa?

Racionalmente, tendo a crer que varia somente a intensidade do que sentimos, mas talvez seja menos pela natureza dos sentimentos do que pela limitação do vernáculo, que abrange sob o mesmo vocábulo uma série de sentimentos distintos. E é claro que não é pela razão que vamos compreender os sentimentos e as emoções. A questão complica-se mais um pouco quando pensamos nos eventos ligados à origem e ao fim da vida, os momentos de emoções extremas. Dizem que a alegria que se sente pelo nascimento de um filho é inigualável. Eu ainda não tive filhos para melhor opinar. A dor pela perda inesperada de pessoas queridas também possivelmente não comporta comparações. Ou seja, essa perspectiva indica que talvez de fato não sejam sempre os mesmos sentimentos, mas sim sensações únicas, incomparáveis. (e é sem dúvidas mais gostoso pensar que vamos sempre conhecer novas sensações)

A discussão se estende: se já conhecemos todas as sensações humanas, quando isso ocorre? Se faz sentido pensar que a descoberta da maioria dos sentimentos se dá durante a infância e a adolescência, não há como negar que me sinto como se estivesse sempre a redescobrir a mim e ao mundo.

É interessante notar também como a intensidade dos sentimentos nem sempre faz sentido. É normal que se sinta uma satisfação maior por coisas menores. Às vezes nos dedicamos imensamente a uma causa e ao final o sentimento interno de conquista, de recompensa é ameno, quase frustrante. Por exemplo, a felicidade que sente um jogador de futebol ao ganhar a Copa do Mundo é necessariamente maior do que a que ele mesmo sentiu ao ganhar o campeonato infantil do seu bairro?

Enfim, o assunto vai longe... São muitos os fatores que influenciam o modo como percebemos e reagimos aos acontecimentos. A psicologia deve ter suas respostas e suposições. Eu só sei que dá um papo bom. Não tenho opinião formada. Aliás, acho que jamais terei. Pelo menos até a próxima cerveja.

4 Comentários:

At 12:59, Blogger Pedro Campos said...

Essa vc anotou em algum guardanapo escondido, que encontrou sem querer naquela carteira que usa mais. Êita discussão antiga (mas ainda ótima).
Eu insisto: ganhar a copa do mundo jamais vai ser igual a ganhar o campeonato do bairro.
Abraços

 
At 14:25, Blogger Guilherme said...

então, o problema foi justamente não ter anotado. O assunto ficou em algum canto recôndito da minha memória, só revisitado agora.

 
At 13:36, Anonymous Mariana (amiga Helena) said...

Guilherme: tenho mais um fator a acrescentar nessa discussão: além da intensidade o sentimentos despertados (proporcionais ou não ao acontecimento) acho que existe um cadeia de sentimentos acionada nesses momentos... a emoção muitas vezes gera reflexão, potencializa outros sentimentoslembranças, repensamos a vida e nós mesmo, nos sentimos o máximo ou um lixo... a combinação de tanta coisa gera momentos tão únicos que fica, realmente saber, se estamos falando de uma diferença de grau ou qualidade... viagei?

 
At 00:40, Blogger Guilherme said...

Oi Mariana, eu concordo com você. Não sentimos nada isoladamente. Tudo está ligado ao presente, a outras emoções que temos no momento, enfim, são diversos fatores subjetivos que interferem na maneira como percebemos as coisas. e sem dúvida a intensidade e a importância do que vivemos está ligado às lembranças que são evocadas, enfim, à nossa relação com aquele episósio e aquilo que o cerca. Este assunto é para viajar mesmo. Obrigado pela visita!

 

Postar um comentário

<< Home